terça-feira, 16 de julho de 2013

Cada vez acredito mais que a geração dos actuais adolescentes vai estar ainda mais à rasca do que a minha. Não temos muita diferença de idades, mas separam-nos anos luz de maturidade. É claro que existem excepções, felizmente, mas não são a regra. Esta geração preocupa-se muito com quase tudo. E digo quase tudo porque claramente que estudar não entra sequer na lista de prioridades. Só isso explica a média de 8,2 a Matemática e 8,9 a Português nos exames nacionais. Não me venham com a conversa de que os exames estão cada vez mais difíceis, que de ano para ano o grau de estranheza dos problemas e equações que inventam aumenta e que é sempre a mesma treta de colocar heterónimos de Fernando Pessoa para lixar a malta. Estes resultados são lamentáveis e inaceitáveis. E não me venham falar da qualidade do Ensino. Falem-me antes dos modelos de educação que os pais desta gente segue (ou da falta dela) e do desinteresse que os próprios alunos têm perante a escola. Esforcem-se, estudem quando é tempo disso, contratem explicadores se for necessário (eu tive que o fazer). Aquela frase feita de haver tempo para tudo não é conversa de pais, é mesmo verdade. Eu também tive muita vida social e não era isso que me fazia anular e esquecer a minha verdadeira responsabilidade. Acho que se corre verdadeiramente o risco de termos num futuro próximo adultos completamente frustrados e de mal com a vida. Aproveitaram a adolescência a 400%, quiseram viver tudo de uma vez e os pais não carregaram no travão e daqui para a frente vão começar a ver a vida com que sonharam a passar-lhes ao lado. Aquela frase dream big to achieve big é muito gira, fica super bem tatuada, mas não traz a informação toda. Podemos sonhar sempre em grande, eu sou um grande defensor disso, mas é preciso ir mais além. É preciso lutar para que os tais sonhos se concretizem. E parece-me que esta geração espera literalmente sentada, numa mesa de café com amigos, enquanto fumam e falam da t-shirt que compraram e tiram uma foto super cool para partilhar nas redes sociais, para toda a gente ver que têm uma vida fantástica. Só não sabem que a fantasia vai acabar rápido. 

2 comentários:

Junto à Janela disse...

Subscrevo completamente as tuas palavras!
Não podia estar mais de acordo e é triste assistir a essa realidade.

Iva Araújo disse...

Não podia concordar mais! É muito triste e eu ainda vi no telejornal uma mãe a felicitar a filha por ter tido três a português e dois a matemática com um sorriso. É triste se fosse a minha mãe, garantidamente levava um sermão e estava de castigo pelas notas miseráveis... Eu temo muito por esta geração