quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Já ando para avançar com esta teoria há uns tempos, mas hoje comprovei-a mais uma vez in loco: o hospital de Setúbal tem sempre, todos os dias, mas mesmo todos, ciganos na porta das urgências. Dá ideia que de manhã vão todos para a feira, saudáveis que só eles, é vê-los a vender os relógios da Doce&Cigana e afins, e depois de almoço há sempre um que se queixa com uma dor tãgrande tãgrande e toca de ir entupir as urgências. Não interessa se é apenas um que está doente ou se são dez, que alapam-se todos no recinto. Hoje deviam estar, sem exagero, uns quinze no café e cinco deitados na relva, à espera do desgraçado que estava a sofrer lá dentro. Começo a desconfiar que vão para ali passar as tardes e as noites porque sempre vão conseguindo uma ou outra refeição à borla e, quem sabe, vender qualquer coisa clandestinamente. A sério, parecem lapas. E depois até podiam estar ali, naquele género de figuração, mas estarem calados. O que não acontece, porque discutem uns com os outros, dizem mal dos médicos, enfermeiros e afins, berram de mágoa (ai ele tá tão maliiii). Juro que não gosto de ser racista, mas algumas pessoas levam-me a sê-lo.

1 comentário:

Clair de Lune disse...

Quando estagiei na pediatria estava um bebé cigano internado. A mãe encontrava-se lá permanentemente e na hora das visitas vinham mais o pai, avó e mais um familiar qualquer. A primeira coisa que o pai fazia era perguntar o nome do estagiário que estava com o filho, o nome da enfermeira e o nome da médica.
Não vá acontecer qualquer coisa e ser preciso fazer uma espera.
Fora do hospital era vê-los a aproveitar o sol na relva com merendas e garrafões de vinho.
Mas pelo menos estavam calados.