segunda-feira, 11 de abril de 2011

Eu sabia que este dia ia chegar

Tocaram-me à campainha pela milionésima vez para me falarem de Jesus Cristo. Até hoje tenho sido paciente. Demais, até. Dizia que não estava interessado, que já conhecia, que já me tinham falado disso, que ainda a semana passada estiveram cá em casa a pregar. Por vezes até pedia desculpa por não ter tempo e acho que houve uma vez que aceitei ficar com o panfleto. Mas hoje ainda ia a descer as escadas e já pensava para mim que se fossem testemunhas de Jeovás, malta da Igreja Maná, parvinhos da Igreja Jesus Cristo é o Senhor a coisa ia-lhes correr mal. Mal abri a porta vi duas senhoras (com idade para terem juízo) e um miúdo com uns 6 anos. Os três de panfletos na mão. Sem ter tempo de dizer 'boa tarde' ou algo do género a mais velha iniciou logo o discurso. "Ah, vimos aqui para lhe falar em Jesus Cristo e para lhe dar um convite para a celebração da morte de Jesus Cristo". E foi na parte "somos da Igreja..." que eu a deixei de ouvir e lhe interrompi o discurso. Disse-lhes para se manterem fora do muro porque não tinha dado licença para entrarem. É que a distância do muro à porta de casa ainda tem uns metros, mas já estavam quase com os pés no tapete, prontos para entrar e forrar-me a casa com papéis sagrados. E depois tiveram que ouvir até ao fim: que a religião não se apregoa, que cada um acredita no que quer e que não gosto que me andem a impingir crenças. A senhora ainda tentou minimizar o incómodo com um "mas não é para se tornar crente, é apenas um convite para a celebração da morte de Jesus Cristo". E eu expliquei-lhe que não, não era um convite, mas sim falta de educação. Esqueci-me de dizer que também é uma grande lata. Mas essa parte do discurso fica para o próximo que cá vier bater à porta.