domingo, 16 de janeiro de 2011

Das Presidenciais

A política a mim não me fascina. Tenho um descrédito (quase) total pela classe que governa e representa o país. Falam-me de política e assim à primeira vista lembro-me sempre de corrupção e ataques pessoais. Vem-me tudo à cabeça menos ideiais como responsabilidade, governação e sinceridade. E acompanhar, ainda que não seja totalmente, a campanha das Presidenciais só me tem mostrado que não ando muito longe da verdade. Basta estar atento a uma intervenção de qualquer candidato para ouvir logo ali meia dúzia de ataques pessoais a outro concorrente. Dá-me sempre a sensação que se estão a cagar para o interesse superior do país. Querem é ganhar aquilo. E para isso não vale muito a pena apresentar e defender as propostas e os seus ideias. Podem até falar disso, mas no que são especialistas é a ofenderem-se uns aos outros. Em vez de se limitarem a justificar ao povo os motivos pelos quais se deve votar neles, preferem o escrutínio aos outros concorrentes. Preferem mostrar ao país quão maus são os seus adversários, deixando para segundo (ou terceiro) plano evidenciar as suas qualidades enquanto possíveis Presidentes da República. E é por isso que acho que esta campanha tem sido uma autêntica vergonha. Um verdadeiro diz-que-disse, um campo de batalha, como, na verdade, já tão bem habituados estamos. Depois outra coisa que não entendo muito bem é ver esses senhores a frequentarem talhos e praças de comércio local, todos sorrisos, passou bem para aqui, beijinho na peixeira para ali. E no meio disso um "vote em mim" e outro "sim, sim, a sua reforma é muito pequena, é um grande problema que eu, herói cá do sítio, vou resolver, deixe-me só chegar a Belém". Mandasse eu neste país e isto era proibido. Então só se lembram que o povo existe quando precisam de votos? É que nunca me lembro de alguém que depois de já estar sentadinho em Belém ou em São Bento vá visitar o mercado do Bolhão ou as peixeiras da Nazaré a perguntar se estão satisfeitas ou se afinal continuam a passar dificuldades. Por mim a campanha política era apresentada com debates decentes na televisão. As pessoas ouviam todos os candidatos, com igual poder de antena, e depois decidiam em consciência. Não havia cá arrufos e bandeiras durante visitas às cidades e apertos de mão cínicos. E muito menos se gastavam balúrdios durante as campanhas, visto que o país está em crise. Mas mesmo com todo este descrédito pela classe política que este país tem, dia 23 vou votar. Para poder reclamar e para usufruir dos meus direitos, tenho que cumprir com os meus deveres. Não é que já tenha feito a minha escolha. Neste momento só sei quem está na minha lista negra e quem ainda tem hipóteses comigo.

4 comentários:

Bloguótico disse...

Pois... mas isso é política... resumis-te na perfeição a "nossa" política! :s

Acima de tudo, concordo contigo: votar para se ter legitimidade para criticar, num ou noutro sentido!!!

pipi das meias altas disse...

Concordo.

S* disse...

Votar é uma obrigação, nem que seja nulo ou branco. Ficar em casa é uma falta de respeito pelo país.

Ivânia Santos (Diamond) disse...

O que me está a irritar nesta campanha é o facto de não aproveitarem o tempo de antena para si, e sim gastarem esse tempo a criticar o outro! Irrita...

Quanto ás visitas ao povo, isso é assim em todo o lado e sempre será assim!

Mas bora votar dia 23, é um direito e dever nosso! Se não o fizermos não deveríamos mais tarde criticar .... quem estiver no poder! :p