Não gosto quando as pessoas são dramáticas em visitas de hospital. O familiar ou amigo que vão visitar já tem a sua dose de chatices para estar a levar com outra em cima. Já chega estar internado, ter sido operado, não se conseguir mexer muito bem e estar na mesma posição horas a fio sem poder fazer algo de útil. Também já lhe chegam as preocupações do que era para ser feito e teve de ser adiado à força. Não compreendo a atitude choramingas nem as lamúrias. Abomino os 'ai filho o que te aconteceu', 'ai que desgraça', 'ai coitadinho'. Tudo bem, pode ter acontecido algo de grave e é normal que nos preocupemos. Mas não vale a pena estar a bater no ceguinho. Só o facto de irmos visitar a pessoa já demonstra que nos preocupamos e que queremos o seu bem-estar e que gostamos dela. Em vez dos choros e dos ais devemos ter uma atitude positiva. Ir nas calmas, sem cara de enterro e fazer conversa. Podemos falar da operação, do que aconteceu antes, mas acredito que para a pessoa se torne cansativo, porque fala do mesmo a toda a gente. Não faz mal falar de assuntos que nada tenham a ver e, muito importante, mandar umas piadas para animá-la. Acredito mesmo que o sentido de humor é a melhor arma. É mais eficaz, a pessoa distrai-se e não fica ainda mais ansiosa e preocupada do que já está. A recuperação não vai ser mais rápida e as dores não vão passar só por chorarmos e lamentarmos a situação. Portanto, malta sofredora, nada de exageros nas visitas. Não custa assim tanto.